Segunda Reforma

terça-feira, 15 de junho de 2010

Segunda Reforma




Renan Almeida

Costumamos dizer com convicção somos “Protestantes Evangélicos”, ou no Orkut colocamos na área de religião “Protestante/outros”, mas a questão é: somos realmente protestantes? Somos dignos de usar esse nome? Sinceramente, a frase católica que diz “fulano deve estar se revirando no caixão” deve se aplicar bem aos grandes reformadores como Lutero e Calvino, uma vez que “amamos” os nomes deles, no entanto não temos coragem de ter atitudes similares as dos mesmos.

Cresci no meio de uma Igreja que tinha poder e que em qualquer parte do mundo um cristão era conhecido como cristão. O cristão era diferente no falar, na expressão, no vestir, em tudo, e infelizmente, tive que ver o Evangelho, no meio das igrejas, se degradar absurdamente. Se eu que não tenho nem 18 anos ainda me sinto assim, me questiono como se sentem os “anciãos” que lutaram para preservar o evangelho puro, que suaram, choraram, alguns foram expulsos de casa, amaldiçoados pelos pais, deserdados, passando por tudo isso pela causa do Evangelho. Se entregaram para que o Reino de Deus prosperasse e de repente, aquilo que foi construído por eles é tido como “arcaico” e “fora de moda”.

Imagino como seria os dias atuais se homens como Lutero, Calvino, Spurgeon, Finney, Edwards, Jon Weslley e tantos outros grandes homens (grandes homens por terem se entregue a Deus) do passado estivessem vivos. Vejo Martinho Lutero afixando suas teses nas portas da IURD dizendo “Deus não aceita barganha, tudo que Ele concede ao homem é por graça e não por dinheiro”; Spurgeon gritando contra as doutrinas da “teologia da Prosperidade”, “Cura interior” abusiva, “batalha espiritual”, “maldições hereditárias” e dizendo com convicção “não existem doutrinas da ortodoxia cristã que não esteja sendo prejudicada por aqueles que deveriam defendê-la” e muitas outras coisas.

Usamos o “título” de Cristãos, que é um nome que aponta para Cristo, no entanto nossas atitudes não fazem o mesmo. As antigas igrejas zelavam pela ortodoxia cristã, ou seja, pela doutrina dos apóstolos, no entanto, as novas igrejas causam vergonha, pois pregam um Evangelho que Cristo jamais pregou, Paulo jamais pregou e muitos homens jamais pregaram. A Igreja Cristã se tornou um palco de aberrações que tem prazer em romper com a ortodoxia que, com derramamento de sangue, foi preservada. Não pregamos o Evangelho do “Seja feita tua vontade, Senhor”, mas sim “Que seja feita minha vontade hoje pois sou cristão e o senhor tem que fazer (...)”. Saímos, infelizmente, do tempo em que nosso desejo era estar na presença de Deus e sentíamos gratos pela redenção oferecida por meio do seu sangue (Cl 1:14), mas hoje, além do resgate queremos carro do ano e tudo o que nosso coração desejar.

Antes o convertido sentia nojo do mundo, não queria se assemelhar a ele, mas o que se vê em algumas igrejas é a heterodoxia, ou seja, o evangelho se adapta ao “cliente”. Se o mundo muda porque a igreja não mudaria? Esse é um argumento idiota, uma vez que a resposta é obvia. A igreja é o Corpo de Cristo e Cristo é imutável. Igrejas que o púlpito é uma prancha, batismos realizados em tobogã, gente dizendo que Cristo viria numa data X, igrejas underground e tantas outras asneiras são reflexo claro da apostasia, do levantamento de mestres segundo suas vontades e da vontade de o homem ser o que quer ser e não à imagem e semelhança de Cristo. Alguém certa feita me disse algo que achei muito interessante: “Se as pessoas antes de fizerem algo se questionassem se Cristo faria o mesmo, errariam menos ou não errariam”. Lanço a mesma idéia, aos caros “amigos” heterodoxos: Cristo usaria um brinco para ganhar undergrounds? Ele se faria igual um surfista para pregar para os surfistas? Se sim, porque ele não agiu como os fariseus para ganhá-los para o Reino? Só falta me dizerem que se farão homossexuais para ganhar os homossexuais, se fizerem isso podem ter certeza que mandarei todos esses heterodoxos para o inferno, imitarei ao apóstolo Paulo.

É hora de se levantarem homens e mulheres que amem a Bíblia, que zelem pela ortodoxia cristã, que não aceitam esse lixo no meio da Igreja e iniciarmos, no poder do Espírito, uma Segunda Reforma Protestante. Oremos por um Despertamento Espiritual e lutemos pela verdade, doa em quem doer, mas nós nos dedicaremos ao ministério da Palavra. Minha oração é para que você seja um zeloso da obra de Deus e possa dizer assim como o salmista “O zelo por tua casa me consumiu”. Oremos para que as bases da Igreja sejam restauradas e que assim como os reformadores possamos dizer com orgulho: “Só as Escrituras, Só a Fé, Só a graça, Só Cristo, Somente a Deus seja Gloria”.




Artigo publicado originalmente no blog Pelas Escrituras em 15/06/10

3 comentários :

  1. é tudo para a gloria de DEUS ,,, fim dos tempos muitos apostatando da fé ,,mas nos combateremos o bom combate e ficaremos firmes em nome de jesus

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  2. Concordo com vc meu amigo precisamos retomar as rédeas da pregação moderna no sentido de se retornar a simplicidade e a pureza da palavra de Deus.

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  3. Ifmeganha, tô doidinho pra "retomar as rédeas da pregação moderna no sentido de retornar a simplicidade e a pureza da palavra de Deus." Ensina aí, vai.

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