Tua Graça me basta

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tua Graça me basta



Renan Almeida

No último domingo (se não me engano), fui a igreja torcendo para ouvir uma pregação que não me deixasse nervoso ou com vontade de arrancar o microfone das mãos do pastor. Algo que me chateia é ir à igreja e ouvir teologia da prosperidade, psicologia ou qualquer coisa que tenha um estilo neopentecostal. Naquele domingo parecia que a situação ia ser diferente, afinal de contas a leitura foi feita em Isaías 9, texto que fala acerca da vinda do Messias e sobre a poderosa obra que o mesmo realizaria (e realizou).


Mas como sempre, parece perseguição, aquilo que eu temia me aconteceu. O “ministrante” começou a fazer uma espécie de distorção,  ensinando uma espécie de triunfalismo, infalibilidade papal, digo pastoral … a inviolabilidade de uma aliança e coisas que eu sinceramente não prestei muita atenção. Enquanto ele falava aquele papo neopentecostal que não gosto de ouvir, comecei a meditar acerca da maravilhosa doutrina da graça.

Comecei a me questionar o motivo que leva os pastores a não pregarem a maravilhosa doutrina da graça. Qual a graça existente em pregar acerca de dinheiro? Que graça tem pular sem parar? Que graça tem falar tanto em células, visão celular ou “ganhar multidões” como ensina o G12? Por que não falar mais da Graça de Deus?

Falar da Graça de Deus não implica em dizer se é calvinista ou arminiano... a doutrina da Graça transcende todo e qualquer aspecto racionalmente teológico! A Graça de Deus é sintetizado em Jo 3:16, isto é, Deus amou o mundo caído, imerecedor do Santo Sacrifício de Cristo  para que nEle tivéssemos a vida Eterna.  Por que a igreja de Cristo se afastou tanto da doutrina da graça? É por terem se afastados que hoje vemos todo  o tipo de aberrações doutrinárias...

Vemos um Morris Cerullo com sua campanha dos R$ 610,00 (“benção na promoção”); vemos um Myles Munroe arrecadando R$ 200,000 para o “profeta” (100 pessoas “doando” R$ 2.000,00 cada uma); vemos um Samuel Ferreira em um “transe” com os pés cheio de dinheiro; vejo igrejas mergulhando de cabeça em um “mover (supostamente) apostólico” (é difícil transformar um verbo em um substantivo na marra) e transformando os cultos em circos de horrores onde rola todo tipo de animal (“unção de Toronto”) e bizarrices mil. Será que a manifestação da Graça de Deus não basta para esses indivíduos?
Dizer que Deus depende do homem é heresia, mas vejo nas páginas da Bíblia um Deus de amor tão grande que tem prazer em ver o homem se aproximar dEle. Vejo na Bíblia, mesmo no período da Lei, a graça de Deus manifesta de uma força toda especial. O Único e Soberano Deus dizer:

“Eu me lembro de tua fidelidade quando você era jovem; como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada. […] Que falta seus antepassados encontraram em mim para que me deixassem e se afastassem de mim? […] Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel; como , pois, te tornaste para mim uma planta degenerada como vide estranha? […] Evita  que o teu pé ande descalço, e a tua garganta tenha sede. Mas tu  dizes: Não há esperança; porque amo os estranhos, após eles andarei” (Jr 2:2,5,21,25 – NVI e ACF interpoladas)

Note que Deus deixa bem claro o seu amor por esse povo rebelde, tudo o que esse miserável povo tem que fazer é se arrepender de seus maus caminhos. O recado não é, somente, para os ímpios, porém o é certamente aos que já foram alcançados por Deus. Ele cuidou de sua igreja pelos séculos, mas a sua igreja não reconhece sua bondade. O que fizemos com o Evangelho que ele nos entregou?

Talvez seja a hora de pararmos de usar a parábola do filho pródigo para os “desviados” e começarmos a aplicar à igreja como um todo. É hora de percebermos que há muito tempo deixamos o nosso confortável lar (a graça) e fomos nos divertir com prostitutas (transformamos o evangelho em “ególatra”). É hora da igreja dizer: “Pai, pequei contra o céu e contra Ti”...  é hora dos ministros e sacerdotes do Senhor reconhecerem que abandonaram a graça, porque aprenderam o erro de achar que a “circuncisão”  (teologias esdruxulas) na carne é necessária.

A igreja moderna conseguiu transformar o evangelho puro, que deveria ser o sal da Terra em um centro de barganhas; antes a igreja era o lugar onde as pessoas iam orar (casa de oração), onde iam partir o pão e se confraternizar, agora é o lugar onde o crente vai para dizer “eu exijo, eu não aceito, eu tomo posse” e um monte de coisas sem pé nem cabeça.

Perguntem-me o que é apostasia e eu apontarei para o evangelho que se esqueceu da Graça de Deus; perguntem-me o que é a frieza espiritual e eu direi ser a falta de valor dado ao Sacrifício de Cristo. O Sacrifício de Cristo não deve ser o tema que  move nossos pensamentos a cada semana ou de mês em mês, mas sim a centralidade de nossa vida. Lembremo-nos sempre que Cristo nossa páscoa foi sacrificado por nós (Jo 15:13; I Co 5:7) e sigamos os seus passos, esquecendo quem somos e buscando ser o mais parecido possível com Ele (Ef 4:13).




Artigo publicado originalmente no blog Pelas Escrituras no dia 25/08/10


Um comentário :

  1. Excelente post.
    As vezes eu paro para pensar e fico maravilhado em ver quão perfeita é a graça de Deus e como o amor dEle por nós é tão... (sem palavras)... lindo.

    ResponderExcluir

Obrigado pelo seu comentário!