Mergulhando na Graça de Deus e alcançando os perdidos

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mergulhando na Graça de Deus e alcançando os perdidos


Renan Almeida


 “CONJURO-TE, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e  no seu reino. Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreenda, exortes com toda longaminidade e doutrina” (II Tm 4:1,2 - ACF 2007)

Tudo que eu gostaria de ter nesse momento para que eu pudesse me expressar, era a erudição e capacidade teológica de homens como Calvino, Spurgeon e tantos homens de Deus do passado... não tenho tais coisas, mas penso que tenho similar peso no coração que eles sentiram. O peso de verem em suas mãos uma grande responsabilidade,  o peso de ver o nível de podridão de um chamado “evangelho” que não está centrado em Cristo.

Jamais tentei e acredito que jamais tentarei um cargo político, sendo assim, não tenho necessidades de tentar agradar a ninguém. Jamais quis ser popular ou massagear o ego alheio, se eu desejasse tais coisas eu iria escrever livros de auto-ajuda, mas felizmente Deus não me deu “cara-de-pau” para fazer tamanha loucura. Não tento esconder as feridas da igreja local e muito menos da igreja invisível. A igreja de Cristo está doente e, ainda que seja estranho, a cura dela não se baseia em discursos e mais discursos apologéticos, perfeitas hermenêuticas, grandes teólogos ou “D.D’s”... a cura da igreja encontra-se no reconhecimento da Soberania de Deus.

Quando me pergunto o que os grandes homens do passado conheciam e que minha geração desconhece, tudo que me vem a mente é “eles reconheciam a soberania de Deus”... os grandes homens do passado preferiam dizer “eu sou salvo porque Deus me predestinou” do que dizer “Eu decido minha vida... eu preciso exigir de Deus”. Precisamos redescobrir aquilo que queimou no coração dos calvinistas,puritanos e reformados em geral.

Estaria tentando fazer com que você “engolisse” o calvinismo? Não, mas quero  que você redescubra a graça de Deus. Você pode me dizer que não se lembra de quando se converteu genuinamente? Vai me dizer que você não sente uma forte emoção ao se lembra desse glorioso dia? Quando reconhecermos a soberania de Deus e a preeminência que Deus tem em todas as coisas, acabamos por dar um foco todo especial às muitas vidas pelas quais Cristo se entregou.

Apesar de não querer me por como exemplo em coisa alguma, às vezes me vejo obrigado a questionar: Por que pensar na Graça de Deus me comove de tal forma e muitos perante a mesma  mensagem da Graça permanecem como inertes? Você já parou para se perguntar o  motivo de tantas pessoas que se converteram juntamente com você terem parado no meio do caminho? Pessoas que eram aplaudidas pelos pastores, eram os “santinhos”, “braço direito” do pastor foram caindo e você que, talvez, era considerado herege, falso profeta, santarrãp ... Por que você permanece de pé? Eu não poderia dizer que isso se dá pelo fato de Cristo ser soberano e ter a preeminência em todas as coisas?

A igreja de Cristo (a nível local e invisível/universal) deve retornar ao foco da Graça, mas porque estou falando isso? Onde quero chegar? Pensar acerca da graça de Deus nos põe diretamente em contato com o sacrifício de Cristo, mas não de forma “comum”... o que quero dizer com “forma comum”? a pessoa que tem contato com a graça de Deus não consegue dizer que Cristo morreu como se falasse de qualquer outro homem, muito pelo contrário, ao falar ou ouvir acerca do sacrifício de Cristo, o coração do individuo se enche de uma emoção inexplicável que o impulsiona a prosseguir, a amar o seu semelhante, a amar os pecadores e ir até onde os mesmos [pecadores] estão.

Há alguns dias, aqui na cidade estava tendo uma festa (dinheiro público serve para tudo, infelizmente) e para ir a um determinado lugar tinha que passar no meio da multidão (minha nada mole vida) e enquanto eu tentava passar no meio daquela multidão, eu abaixei a cabeça e tentei passar o mais rapidamente possível... mas fui invadido pela ordem “olhe para o rosto deles” e quando comecei a olhar para o rosto daqueles homens e mulheres que andavam e faziam o que bem desejavam (bebiam, fumavam, dançavam), comecei a escutar “Muitos do que estão aqui não terão uma segunda chance e muitos morrerão sem jamais se converter e irão para o inferno”... em meio aquela multidão, senti meu coração apertar e lágrimas começaram a correr dos meus olhos e fui tomado em espírito (quem lê entenda).Quando eu retornava para minha casa, pelo caminho vi que todos os cristãos estavam em seus suntuosos templos, ali confinados, e enquanto isso, muitas pessoas corriam para os braças do inferno sem que ninguém tentasse impedir.

Há uns 3 dias, conversei com uma “amiga” que, atualmente, reside no Rio Grande do Sul. Enquanto ela morava na mesma cidade que eu, eu a evangelizei durante muito tempo, mas depois que ela se mudou eu perdi totalmente o contato. Por um “milagre” ela entrou no antigo MSN dela (que é o único que eu tenho) e ela tentou meio que me “afrontar”para ver se eu havia me tornado mais flexível ou se havia me desviado... E para tal finalidade ela começou a me falar que estava fumando, bebendo, que estava participando de reuniões espíritas e tudo que eu consegui fazer foi glorificar a Deus, falando  para ela acerca da Graça transformadora de Deus. Tudo que ela disse foi “Cara, você não mudou nada”...  Na verdade, eu acho que mudei muito... Hoje tenho uma melhor compreensão da Graça de Deus, a doutrina da Graça tomou meu coração de tal forma que não consigo descrever... consigo apenas sentir essa bela doutrina da Graça manifesta de uma forma diferente em minha vida.

No mesmo dia, antes de eu conversar com essa “amiga”*, eu havia conversado pessoalmente com um amigo de longas data, que ainda reside na mesma cidade que eu. Ele foi morto pela religiosidade, o pastor e as demais ovelhas “emedozistas” assassinaram ele e ele não lutou o suficiente para viver. Eu senti uma absoluta tristeza ao vê-lo apenas reclamando das igrejas e dizer “prefiro ficar no mundo”... outra afirmação dolorosa foi “eu estou beirando o ateísmo,  ou minha fé é quase católica” (isso significa que ele faz o que bem entende). Todas essas coisas machucam meu coração, pois demonstra minha impotência diante das mais diversas situações. Me permitam crer na Graça irresistível e pensar que sou fruto dessa manifestação soberana da vontade de Deus.

Esse jovem relatado anteriormente andou comigo, tivemos planos juntos relacionados a um futuro ministerial, atravessamos situações juntos e hoje me vejo em pé, muitas vezes fraquejando, mas em pé e me vejo obrigado a vê-lo prostrado e se negando a segurar nas mãos de Cristo. Não tenho controle sobre essas vidas, nada posso fazer por elas, a não ser orar, pregar e dizer “Senhor, traz para perto de Ti aqueles que te pertencem”. Se juntem a mim em oração em favor de uma nação corrompida, por uma juventude que não consegue discernir sua mão direita da esquerda, por  um povo que é mais amigo dos deleites humanos e temporários do que de Deus.

Se eu ainda me dedicarei a apologética? Sim... pois tenho a obrigação de corrigir, exortar, repreender sempre... mas não quero que a apologética crua (falar por falar... falar para ter o “eu” massageado como alguns fazem) seja meu foco em tempo algum. Jamais apoiei apologética crua e jamais apoiarei. Quero manter meus olhos em Deus e ver a sua Graça me mantendo firme até o fim... Quero olhar para Deus e ouvi-lo dizendo “Vem, eu te espero”... quero sonhar com o dia em que olharei para a face do meu bom Mestre, verei o seu belo sorriso e escutarei “Servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor”....

Senhor, permita-me deitar em teu colo naquele dia e ouvir o Senhor contando-me histórias... apenas abraça-me e dá-me forças para prosseguir... Obrigado por me amar.




Artigo publicado originalmente no blog Pelas Escrituras dia 13/09/10

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