terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Bispo da Assembleia de Deus



Robinson Cavalcanti

Ali estava ele, como conferencista em nossa Consulta sobre Direitos Humanos, em Abuja, Nigéria: jovem, elegante, articulado, culto, bom orador, portador de um Mestrado e cursando um Doutorado em Oxford. Em seu país, preside, a nível da Sociedade Civil, a Comissão de Sistematização de um novo projeto de Constituição Nacional a ser deliberado pelo Parlamento e submetido a referendo popular. Tem sido, por mais de uma vez, integrante da delegação de Zâmbia à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e a órgãos a ela vinculados. Camisa purpúrea e colarinho clerical impecáveis. Ora, direis, trata-se, obviamente, de um Bispo Anglicano. Ledo engano, meus amigos, trata-se de Joshua Banda, um Bispo Presidente das Assembleias de Deus. E não é um “bispo” tipo cacique/caudilho encontrado hoje em denominações neopentecostais, mas alguém, consciente de um episcopado “de fato” adotado por sua Igreja, a conduz a um processo de reflexão histórica e teológica sobre essa forma de governo eclesiástico.


Vocês se lembram das Convenções Batistas no Caribe, ou na Geórgia e Letônia (antiga União Soviética) com seus bispos, bem como igrejas reformadas (calvinistas) em países como a Hungria, que, no lugar do presbiterismo, também são dirigidas por Bispos? A globalização também vai se dando no campo do conhecimento, quando se redescobre a História e a interpretação bíblica mais antiga, quando se intercambia experiências, e quando os olhos se abrem para opções eclesiásticas que não julgávamos existir.
Enfim, vai-se superando o sectarismo, o provincianismo, o etnocentrismo. A cultura africana valoriza a autoridade, a hierarquia, os mais velhos e experientes, e os Bispos são figuras muito honradas e respeitadas, na encarnação de sua autoridade institucional, ungidas pelo Espírito Santo para liderar o povo de Deus, como dizemos no prefácio do Ordinal do Livro de Oração Comum (LOC), “segundo as Sagradas Escrituras e os escritores mui antigos”.

Depois de ter tido como companheiro de viagem (Johanesburgo-Cidade do Cabo), o Bispo Batista da Letônia (quando do Lausanne III), agora me torno amigo do Bispo da Assembleia de Deus de Zâmbia, e vou ampliando o meu círculo de colegas de ministério... esperando que o mesmo também se dê no Brasil...

Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti é bispo diocesano da Diocese Anglicana de Recife  (DAR).




Um comentário:

  1. Adorei isso! Vou tomar a liberdade de republicar lá no Olhar Reformado.

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