quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Celebre o Natal!

Fabio Farias

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Isaías 9:6 (ACF)
É com muito alegria que hoje acordei e lembrei que Deus se fez homem, viveu entre os homens, morreu pelos homens, e ressuscitou pelos homens. Amanhã acordarei em paz e celebrarei o nascimento do Salvador, com o desejo de sempre lembrar da existência e da glória de Deus nas minhas ações diárias, mesmo que muitas vezes falhe nisso (cf, 1 Jo 1.8)

Mas nem sempre foi assim. Durante muitos anos da minha infância e adolescência meu Natal foi um dia sem celebração ou afeição cristã. Um dia sem sentido.... Na minha primeira experiência de fé, antes de tornar-me um cristão presbiteriano, aprendi que o Natal na verdade era um dia pagão, criado em homenagem ao Deus sol, e, portanto, era uma data anticristã. Cresci ouvindo histórias de pessoas que viram demônios em suas insistentes arvores de Natal (só depois se submeteram a "direção apostólica" e retiraram esses verdadeiros postes-ídolos). Tratava-se na verdade de um projeto nefasto do imperador Constantino para a subversão do Cristianismo. Na minha mente de criança (seja na ordem da criação, seja no reino de Deus), sentia sempre um certo constrangimento diante das musicas evangélicas de Natal. Tratava-se de romanismo, de pecado, de "legalidade" para ação de demônios...

Hoje me entristeço pelos muitos irmãos que ainda pensam assim. E por muitos pastores que coagem suas ovelhas a calarem-se diante do Natal quanto comunidade da fé. Hoje vejo que trata-se do velho farisaísmo, que no zelo cego de criar uma cerca em torno da Lei, para que ninguém chegue sequer perto de pecar, corrompe o Evangelho do Senhor Jesus Cristo, que está mais preocupado com a intenção do coração dos homens do que com sua aparência exterior. 

Aos que afirmam que a Escritura jamais ordenou a celebração do nascimento de Cristo, deixo-os com a Palavra de Deus:
Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. - Rm 14. 5-8 (NVI)

É inegável o espírito de liberdade e moderação cristã nas palavras do apóstolo Paulo. A única conclusão lógica é que tanto a comemoração de uma festa qualquer quanto a abstenção da mesma, não incorre em pecado, pois ambos o fazem "para o Senhor". Por isso o próprio apóstolo diz sobre a questão no verso 4: "Quem é você para julgar o  servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar". Se não há julgamento, não há pecado. Se não há pecado, há liberdade.

Aos que afirmam que não podemos comemorar o Natal por ser, na verdade, uma data de origem e inspiração pagã, deixo o velho ditado: "o mal está nos olhos de quem vê".

Pois, antes de ser uma infiltração pagã, o Natal simboliza que, se um dia o Ocidente celebrou o deus sol, hoje ele celebra o Sol da Justiça, o Cristo de Deus, Jesus de Nazaré. Os deuses outrora adorados hoje estão relegados aos livros de história e as obras de museu. Cristo está assentado a destra de Deus Pai no coração de todos os que creem: milhões e milhões em todos os Estados-Nações do planeta. Trata-se de um símbolo do avanço da Grande Comissão, e um anúncio profético contra toda a humanidade: Os homens são inescusáveis, pois Deus se manifestou a eles, e eles não o seguiram, antes, o rejeitaram, e se fizeram escarnecedores de Deus.

O teólogo James B. Jordan também apresenta uma faceta fantástica dessa perspectiva
E assim mostramos que os romanos e outros povos pagãos tinham uma festa do solstício de inverno para celebrar a subida do sol nos céus e a mudança do frio ao calor – e daí? Todos os festejos pagãos são réplicas perversas dos festejos verdadeiramente piedosos. A adoração pagã do sol é uma perversão da analogia bíblica do sol a Cristo (Malaquias 4:2; Salmo 19, etc.). O reconhecimento pagão da mudança no ano das trevas à luz, da morte à vida, no solstício de inverno não mais é que uma perversão da verdade no pacto com Noé. O que está errado em reivindicar o solstício de inverno para Cristo?¹
Portanto, querido irmão, não hesite em comemorar o Natal!  Antes, encha-o do significado cristão. Lembre as pessoas que o Natal é de alguém, de Jesus Cristo. "Natal" (nascimento) sem recém-nascido, não faz sentido. Diga isso as pessoas. Diga isso a si mesmo. Encha seu Natal de fé. Celebre o Natal!
Em Cristo,
Feliz Natal!




Artigo publicado originalmente no blog Pelas Escrituras dias 26/12/13. Baseado no Devocional Matutino ministrado na 2ª Igreja Presbiteriana de Saracuruna

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