O Dia de Mandela e a criação de uma nova religião

domingo, 8 de dezembro de 2013

O Dia de Mandela e a criação de uma nova religião



Peter Hammond

A Resolução das Nações Unidas

Em novembro de 2009 a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou oficialmente o dia 18 de julho como “Dia Internacional de Nelson Mandela”!  Afirmou ser este um ato “em reconhecimento à contribuição do ex-presidente Sul-Africano para a cultura de paz e liberdade”. A mesma resolução “reconhece os valores de Nelson Mandela e sua dedicação ao serviço da humanidade na área de resoluções de conflitos, relações raciais, promoção e proteção dos Direitos Humanos, reconciliação, igualdade de gênero e dos direitos das crianças e grupos vulneráveis, bem como a elevação social das comunidades pobres e subdesenvolvidas. Reconhece sua contribuição para a luta pela democracia internacional e pela cultura de paz em todo o mundo”.
Culto à personalidade

Com hinos de louvor e glorificação a Nelson Mandela sendo entoados e ensinados às crianças, parece que estamos vendo o início de uma nova religião. Os antigos Faraós eram adorados como deuses. Os presidentes do Partido Comunista da União Soviética também eram cultuados, sobretudo Vladimir Lenin, cujo túmulo permanece sendo um local de peregrinação. Quando Joseph Stalin foi ditador da União Soviética, o culto à personalidade chegou a um patamar sem precedentes.
Adoração ao Imperador

Na Romênia, o Secretário Geral do Partido Comunista, Nicolai Ceaceuscu, tornou-se a figura central do culto ao Imperador, de modo nunca antes visto desde os dias dos Césares. Em homenagem ao Ditador Comunista – Nicolai Ceaceuscu - foram compostos mais de 8.000,00 hinos de louvor. Literalmente, casas, escritórios, escolas e repartições públicas eram decoradas com suas fotos.

Cultos às celebridades

Certamente Hollywood produziu muitas celebridades que foram cultuadas. No entanto, o extravagante louvor e idolatria em torno de Nelson Mandela, na tentativa de considerá-lo como um herói/mártir e exemplo ideal, ultrapassaram todos os limites. O culto e a idolatria em torno do nome de Nelson Mandela são surpreendentes.
Doutrinação

Coros cantam canções e hinos em louvor a Nelson Mandela. Em sua homenagem foram organizados concertos e eventos, como também enormes cartazes foram erguidos em centros cívicos. O Ministério da Educação, ao que parece, tem confundido Educação (ensinar crianças a pensar) com Doutrinação (ensinar o que as crianças devem pensar). Vários golpes publicitários têm sido dados com o único objetivo de que Nelson Mandela venha a figurar no Guiness Book of Records, incluindo a exigência de todas as crianças da escola escrever cartões de aniversário e cantar parabéns para ele no dia 18 de Julho. As crianças são obrigadas a escreverem homenagens e dedicatórias em louvor a Nelson Mandela e não é permitida qualquer dissidência. O Ministério da Educação traçou essa diretiva para todas as escolas, inclusive as independentes.

Mandela e a legalização do Aborto

 Em muitos níveis isso é extremamente perturbador. Por exemplo: Trata-se de cristãos pró-vida que esperam lançar todos os valores próprios para o lado e deificar um homem que, contra a decisão do Parlamento, aprovou a lei que legaliza o aborto na África do Sul? Desde a aprovação dessa lei, mais de um milhão de bebês já foram mortos com apoio legal e com o dinheiro dos contribuintes. A verdade é que a vida começa na concepção e o aborto é assassinato.

A pornografia é propaganda para a cultura do estupro

A  Assembleia Geral da ONU pode dizer que Nelson Mandela “promoveu o direito das crianças e de outros grupos vulneráveis”, no entanto sob sua presidência a pornografia foi liberada na África do Sul. Os Serviços de Polícia Sul-Africano informaram que o estupro infantil aumentou em mais de 400% como resultado desta medida.
Apoio aos ditadores

A Assembleia Geral poderá alegar que Nelson Mandela “contribui para a luta pela democracia internacional e pela promoção de uma cultura de paz em todo o mundo”, no entanto ele fechou a Embaixada da África do Sul na República da China, na ilha de Taiwan, e abriu uma Embaixada na China Comunista, uma Ditadura de partido único que possui um registro brutal de desrespeito aos Direitos Humanos. Nelson Mandela saudou com a África do Sul o maior ditador reinante no mundo, Fidel Castro, e lhe deu o maior prêmio que este país pôde oferecer. Como presidente, Nelson Mandela apoiou alguma das piores ditaduras do planeta, tais como a de Fidel Castro em Cuba, Zimbábue de Mugabe, a China Comunista, a Líbia de Kadafi, o Iraque de Saddam Hussein e vários outros estados conhecidos pelo desrespeito aos direitos humanos.
Pornografia é a teoria – O estupro é a prática

A resolução da Assembleia Geral pode falar que Nelson Mandela “esteve a serviço da humanidade... igualdade de gênero...”, mas com ele a pornografia foi legalizada e a prostituição efetivamente descriminalizada; com isso o tráfico de pessoas explodiu na África do Sul.  De forma exponencial, explodiu o número dos casos de estupros tal como ocorreu, no primeiro momento, com os sexy shops e a pornografia quando foram liberados no país.

Não deixe fatos ficar no caminho de uma boa história!

A declaração da ONU descreve Nelson Mandela como “prisioneiro da consciência”, no entanto o fato é que a Anistia Internacional se recusou a tomar partido em seu caso, sob alegação de que ele não era um preso político, uma vez que havia cometido vários crimes violentos e porque teve um julgamento justo e uma sentença razoável.

Uma questão não respondida.

Os jornais mais radicais da época, como The Star e Rand Daily Mail elogiaram a condescendência do Tribunal ao oferecer a mais leve sentença cabível para a prática de crimes violentos. Em 1964, qualquer um nos Estados Unidos, Grã-Bretanha ou França poderia ser executado pela prática desses crimes.

Justo e correto

Mesmo o Rand Daily Mail, o jornal liberal mais sincero naquela época e, de algum modo, um defensor de Mandela e do CNA escreveu acerca da sentença proferida pelo Juiz: “As sentenças proferidas pelo Juiz De Wet no encerramento do julgamento de Rivonia foram muito sábias e justas. A lei é mais bem servida quando não há firmeza tingida de misericórdia e este foi o caso de ontem. As sentenças não poderiam ter sido menos graves do que aquelas impostas. Os homens considerados culpados haviam planejado sabotar em larga escala e conspiraram para uma revolução armada. Conforme o Juiz assinalou ontem, o crime do qual eles foram culpados era de alta traição. A pena de morte teria sido justificada”.

Misericórdia

Trata-se de fatos históricos. A condenação de Mandela à prisão, ao invés de deixá-lo ser enforcado, foi um ato de misericórdia por parte de seus inimigos políticos. Mandela tinha, portanto, todas as razões para ser grato e não guardar rancores. Ele devia sua vida a eles.

Campanha terrorista

Nelson Mandela foi o chefe da UmKhonto we Sizwe (MK), a ala terrorista do CNA e do Partido Comunista Sul-Africano. Ele se declarou culpado da prática de 156 atos de violência pública, incluindo campanhas de mobilização para bombardeios terroristas que se encarregaram de plantar bombas em lugares públicos. Isso incluiu o bombardeio da Estação Ferroviária de Joanesburgo. Muitas pessoas inocentes, incluindo mulheres e crianças, foram mortos por terroristas da MK. O presidente Barack Obama ao condenar os atentados de Boston declarou: “Todas as vezes que bombas são usadas para atacar civis inocentes, isto é um ato de terror”. Na mesma ocasião denunciou os “atentados de Boston” como “cruel”, “selvagem” e “malévolo”, no entanto apareceu para homenagear um homem que foi responsável por muitos ataques terroristas semelhantes! Obama o elogia e o chama de “meu modelo”.

Recusa de renunciar ao terrorismo

O Presidente Sul Africano P.W. Botha ofereceu, em várias ocasiões, liberdade a Nelson Mandela, bastando que este renunciasse aos atos de violência terrorista. Mandela se recusou.

Controverso
Muitas pessoas respeitam e idolatram Nelson Mandela por causa do filme “Invictus” e à imagem muito positiva que é passada pela maior parte dos meios de comunicação de massa. No entanto, há muitos sul-africanos que discordam. Nelson Mandela permanece sendo uma figura controversa.

Onda de criminalidade

Sob a presidência de Nelson Mandela, em média 25.000 pessoas foram assassinadas por ano. No entanto, para comemorar seus aniversários, Nelson Mandela abria as portas da cadeia de forma regular e muitos criminosos condenados eram soltos, incluindo aqueles que haviam sido condenados por roubo com uso de armas, assassinos e estupradores. Alguns desses presos  passaram a  assassinar e estuprar novamente em período inferior a 24 horas após terem recebido a liberdade. Bem mais que 100.000 pessoas foram mortas sob a presidência de Mandela.
Deterioração econômica




Em 1970, mesmo enquanto enfrentava o terrorismo, motins e estando envolvida em uma guerra de fronteira com os Cubanos que habitavam Angola, a moeda Sul-Africana foi mais forte do que o Dólar dos Estados Unidos. Mesmo após muitas sanções internacionais, a moeda norte-americana caiu para segunda colocação, atrás da moeda sul-africana. Nos primeiros quatro anos do Governo de Nelson Mandela, a moeda desvalorizou em mais de 80% e mais de 2,8 milhões de homens-dias foram perdidos para as greves. A dívida nacional também dobrou sob a presidência de Nelson Mandela. Mandela, sem nenhuma guerra, sem nenhuma sanção, sem tumultos, sem recrutamento e com grande ajuda internacional conseguiu fazer com que a moeda chegasse a ser 10X inferior ao dólar. Publicações como The economist descreveram a presidência dele como “um fracasso”. O aumento da criminalidade e o enfraquecimento da economia sul-africana marcaram sua presidência.

A idolatria de uma figura mítica

No entanto, mesmo após tudo isso, me parece que os cristãos preferem esquecer-se de todos esses fatos e arquivar os seus princípios pró-vida, pró-família, convicções morais e curvar-se diante de um novo ídolo, cantar louvores a ele e, de fato, queimar incenso diante da imagem de um novo César!

A Recusa em comprometer a nossa fé

Historicamente os cristãos se recusaram a curvar-se perante ídolos e a dar a qualquer um a adoração que é devida somente ao Criador. Daniel parou na cova dos leões; Sadraque, Mesaque e Abdenego foram lançados em fornalha de fogo, e inúmeros cristãos foram lançados em  arenas para lutarem contra leões, tudo por recusarem ao sistema estatal de sua época.

Abuso do Sistema Educacional

Parece ser um abuso do sistema educacional exigir que os alunos escrevam positivos tributos ou qualquer espécie de dedicação a uma figura política, sobretudo considerando que ele ou seus familiares podem ter sérias reservas acerca desta. Educação é ensinar uma forma de pensar. Doutrinação é ensinar o que deve ser pensado.

Liberdade de consciência.

Em qualquer sociedade civilizada e livre é preciso haver espaço para a dissidência. A equipe médica que não quiser fazer parte de um aborto deve ser livre para não fazê-lo, em respeito a sua consciência. Um professor que acredita em valores tradicionais acerca da família não deve ser obrigado a ensinar como sendo bom aquilo que eles reconhecem ser imoral e perverso. Um estudante também não deve ser obrigado a idolatrar alguém, seja por meio de uma homenagem escrita ou por meios de cânticos e louvores a um político.

Margaret Thatcher

Recentemente, Margaret Thatcher, indiscutivelmente a mais notável primeira-ministra da história britânica, faleceu. A maior parte do Reino Unido lamentou e honrou sua memória e realizações, no entanto não seria razoável esperar que todas as crianças de todas as escolas da Grã-Bretanha fossem compelidas a homenageá-la, uma vez que alguns dessas crianças pertencem a famílias que discordam das políticas econômicas dela.

Ronald Reagan

É amplamente reconhecido como o maior presidente da história do povo americano. Contudo, mais uma vez, não se pode pensar na hipótese de todas as crianças dos Estados Unidos escrevendo um tributo positivo para ele, pois, certamente, há alguns que discordam dele.

Madre Tereza

Mesmo alguém tão respeitado como Madre Teresa teria seus detratores. Não se poderia esperar que os protestantes idolatrassem alguém que orou a estátuas de Marias, não importando o quão bom tenha sido o trabalho feito por ela entre os pobres da Índia.

Divisório e Ofensivo

Também não é razoável que crianças em idade escolar na África do Sul se façam presentes em um culto à personalidade de qualquer ex-presidente do país. A política é frequentemente marcada por divisões. Seria muito mais sensato chamar a atenção dos nossos filhos naquilo que é edificante para eles e para todos os demais.

Adorar apenas a Deus

Nenhum cristão pode, em boa consciência, participar da idolatria. Deus, nosso Criador e Eterno Juiz, é o único que merece toda nossa adoração e louvor.

“ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. (…) Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gl 5:1,13)



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Dr. Peter Hammond é o fundador e diretor do Frontline Fellowship. Fundador e presidente da Ação Cristã Africana, o diretor da Rede de Ação Cristã e presidente da Sociedade Reformada. Ele é também autor de “Fé sob fogo no Sudão”, “Holocausto em Ruanda”, “Nos campos de matança em Moçambique”, “Manual da Grande Comissão”, “Manual da Cosmovisão bíblica”, “O grande século das missões”, “Princípios bíblicos para a África”, “Escravidão, terrorismo e islamismo – as raízes históricas e os perigos contemporâneos” e outras obras. (http://www.frontline.org.za).




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Tradução: Renan Almeida
Revisão: Fabio Farias

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