sábado, 26 de julho de 2014

O problema com os seminários Americanos

Gary North

Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele. Então deixou ele os bois, e correu após Elias; e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. E ele lhe disse: Vai, e volta; pois, que te fiz eu? Voltou, pois, de o seguir, e tomou a junta de bois, e os matou, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram; então se levantou e seguiu a Elias, e o servia. -  1 Reis 19:19-21 (ACF)

Gary North
Então, você quer se tornar um ministro? Contudo, antes de começar você precisa de treinamento. E você pensa que deve ir a um seminário para isso. Uma palavra de alerta: seminários são constituídos por pessoas que aprenderam a escrever artigos durante a adolescência (provavelmente antes dos 12 anos) e que decidiram apostar em uma habilidade peculiar para toda uma vida de trabalho. Seminários não são constituídos por ex-pastores de êxito; pastores de êxito continuam no ministério. Seminários são constituídos por professores universitários batizados que escolheram se especializar em um campo tão obscuro que nenhuma faculdade possui um número suficiente de estudantes capaz de contratá-los a fim de pagá-los.


Uma Instituição Improvisada

O conceito de seminário foi desenvolvido no começo do século XVIII por um pequeno grupo de Presbiterianos que corretamente concluíram que as faculdades da América haviam tornado-se teologicamente mortas e poderiam não mais ser imbuídas da tarefa de treinar ministros. Este pequeno grupo de homens criou o que se tornaria conhecido como “The Log College”, e posteriormente como "Seminário Teológico de Princeton". Eles começaram esse projeto em 1811, um pouco antes da Guerra de 1812¹.

O seminário foi um improviso adicionado à educação da elite americana porque os "seminários" que existiam, um por um e sem exceções, estavam se tornando humanistas, isto é, Unicistas, no decorrer do século XIX. Foram para a Grécia, por assim dizer. E não estou falando de fraternidades gregas ou irmandades universitárias, um desenvolvimento tardio; estou dizendo que eles foram para a Grécia. Eles se moldaram conforme suas pressuposições clássicas. Abandonaram o trinitarianismo teológico como se fosse uma teoria desnecessária. Depois, cerca de dez anos após Guerra Civil, tornaram-se Darwinistas. Então abandonaram o próprio deus Unicista.

Os estudiosos que ensinam teologia foram graduados em faculdades, e sua metodologia foi desenvolvida nas faculdades. O currículo de graduação do Ocidente sempre foi enraizado na literatura clássica. Platão e Aristóteles, Cícero e Tacito, sempre possuíram um lugar nas salas de aula como se fossem proeminentes bíblicos como Moisés e Jeremias, um fato que pode ser percebido nos debates que envolveram a ratificação da Constituição dos Estados Unidos. Os ativistas escritores de panfletos adotaram nomes como “Brutus” e “Publio”, não “Josué” e “Lázaro”. Desde a invenção de universidades nos séculos XI e XII, a metodologia dominante é uma forma de Aristotelismo batizado.

Os seminários não fazem uma separação clara com a Grécia. Os presbiterianos do “log college” eram evangelistas, líderes no Segundo Grande Avivamento. Os seus sucessores eram menos entusiasmados em relação ao reavivalismo. Eles estavam interessados em métodos de estudos. Eram imitadores de seus líderes. O seminário estava preparado para dar às pessoas os cursos que outras faculdades não eram mais equipadas para dar: línguas bíblicas (especialmente Hebraico), teologia sistemática, habilidades de pregação, exposições da Bíblia, e treinamento similares. O problema era que tratavam-se de habilidades altamente específicas, e os professores capacitados eram ainda mais específicos. Professores de Hebraico tendiam a saber dezenas de outras línguas antigas, e eles preferiam ensinar outras línguas do que ensinar Hebraico para os estudantes, apesar de saberem que nenhum deles iriam lembrar-se delas três anos após a graduação (ou três meses). Ainda, havia uma tendência inerente de irem de acordo com o arcaísmo: conhecimento para o seu próprio bem.

Semelhantemente, professores de teologia sistemática tendiam naqueles dias a serem especialistas em técnicas de filosofia, isto é, humanismo, e eles misturavam suas exposições teológicas com conceitos antigos de filósofos pagãos mortos. Um bom exemplo são os três volumes da Teologia Sistemática de Charles Hodge, que as vezes parecem muito mais um debate com Sir Willian Hamilton do que uma exposição das Escrituras. Isto o torna uma leitura intragável. E o livro ainda continua a ser estudado. (Pode-se imaginar qualquer outra disciplina acadêmica contemporânea que se baseie num material didático de 1873?).

Outro problema dos seminários é que eles eram considerados como um lugar exclusivo para estudantes que já possuíam um diploma de graduação. Seminários requeriam dos jovens que eles já fossem experimentados pelas faculdades antes de se matricularem. Portanto, alguém era supostamente capaz para educar ministros por ser um homem previamente treinado e oficialmente certificado pelos inimigos de Deus. O pastor de 1830 deveria ser uma pessoa educada segundo o ideal liberal, ou seja, um homem com conhecimento de Grego Antigo, Latim, matemática (especialmente geometria), história clássica, e depois – e somente depois – um bom conhecedor de teologia sistemática. Até mesmo aqui, o quadro de dominância teológica era o Escolasticismo Protestante: um sistema baseado nos seis “lócus” da teologia do século XVII, a reação Protestante ao Escolasticismo aristotélico da Contrarreforma. E é assim hoje em matérias como propedêutica teológica, antropologia, Cristologia, soteriologia, eclesiologia, e escatologia. Muitas “logias”, mas nada sobre evangelismo. Nem muito de ética também. E o que aconteceu com o criacionismo, a cronologia bíblica, o pacto, e os credos?

Para certificarem-se de que os alunos dos seminários sofreriam desafios constantes na sua caminhada, eles ainda recomendavam incisivamente que os alunos estudassem em universidades Alemães, onde odiadores de Deus, os "maiores críticos" da Bíblia, davam expediente em tempo integral.

E depois, um por um, os seminários se tornavam liberais. Surpreendente, surpreendente!

O Alvo dos Humanistas

A estratégia institucional de Satanás é sempre o coletivismo. Ele deve imitar a Deus, e Deus é onisciente. Satanás não. Então, ele precisa de informação. Ele precisa de um conjunto de comando, com seus subordinados – fontes moralmente não impecáveis – suprindo-o com dados. Além disso, ele não é onipotente, então ele precisa de um sistema hierárquico por onde ele possa comandar.

Os humanistas nos Estados Unidos implantaram o que era óbvio para século XVIII: a instituição chave de captura era a faculdade. Esta instituição treinou os profissionais do país, especialmente os ministros. Além disso, eles começaram um programa de infiltração e subversão. Os Unicistas capturaram Harvard em 1805. O restante das faculdades o acompanharam. Humanistas puderam certificar qualquer um por tornar Harvard, Yale, e finalmente a Universidade de Princeton (depois do golpe de Woodrow Wilson em 1902) em universidades de prestígio, isto é, em universidades certificadoras. Eles também importaram o diploma de gradução e o Ph.D da Prussia, que fora o modelo germânico de captura do sistema de diplomação acadêmica. Era uma operação de cima para baixo. Eles abrigavam todos aqueles que queriam se tornar certificados e certificadores, e eles também persuadiram a todos os profissionais que a certificação era indispensável.

Seu modelo de operação sempre foi a igreja Católica Romana, a mais sucedida burocracia da história do Ocidente. Depois, seu modelo foi a ordem dos Jesuítas (Calvino e Loyola estudaram na Universidade de Paris ao mesmo tempo). Os humanistas perceberam em 1870 que eles teriam que capturar os seminários para capturar as denominações de respeito. O seminário era a peça fundamental do seu supremo objetivo: a versão Cristã do sistema de certificação profissional. As melhores igrejas seguiram a linha do diabo: sem ensino superior, sem seminário; sem graduação do seminário, sem ordenação.

Pela graça de Deus, apenas os seguimentos Presbiterianos, Episcopais e Luteranos acreditaram em tal padrão institucional (Você pode imaginar Calvino e Martinho Lutero exigindo de cada candidato ao ministério a graduação de uma universidade de respeito, quando todas elas eram Católicas Romanas? Isto certamente faria mais sentido do que exigir dos seminaristas que sejam graduados pelos pântanos Darwinianos de hoje...). No final do segundo Grande Avivamento (década de 1850), os Batistas e Metodistas se tornaram dominantes nos EUA, e assim se mantiveram por muitas décadas, pois eles deram pouca ou nenhuma atenção a educação por meio de seminários.


Ministro Através do Ministério


“Então se levantou e seguiu a Elias, e o servia [e o ministrava]”. Aqui está a marca do ministro [servo]: ele ministra [ele serve]. Ele ministrava [servia] inicialmente a outro ministro [servo]. Este é o modelo diaconal. Ele acha um representante de Deus que está ocupado ministrando o povo de Deus, e ele então se vincula com aquele representante. Ele se torna um aprendiz.

O sistema de tutoria é o modelo de Deus. Esta é a razão pela qual o mundo moderno é tão hostil em relação à tutoria. O sistema do diabo é a certificação pelo comitê, não pela imitação do estudante para com habilidades individuais aprimoradas. Seu sistema organizacional é de cima para baixo e o mais impessoal possível. O sistema de Deus é de baixo para cima e é o mais pessoal possível. O sistema de Satanás é baseado no pressuposto da impessoalidade (especialmente o Darwinismo); o de Deus está baseado no pressuposto da pessoalidade cósmica: a soberania absoluta de um trinitário Deus pessoal.

O economista e filósofo social F. A. Hayek tem por quatro décadas argumentado que o conhecimento transmitido pelo livre mercado é mais vastamente apurado e compreensivel do que o conhecimento transmitido por uma central de comitê de planejamento. Hayek dedicou o fim de sua carreira em se opor a burocracia de cima para baixo como um método de organizar a produção econômica. O ponto de Hayek é que o conhecimento do mundo real é mais complexo do que qualquer coisa que possa ser escrita em um manual ou testada no final do percurso.

Você pode testar as suas teses escrevendo os passos que devem ser dados para amarrar um cadarço. Em seguida dê suas instruções para outrem. Veja a rapidez do outro para amarrar o cadarço seguindo seus passos detalhados. Para tornar as coisas mais interessantes, se você é destro, descreva os passos corretamente agora para um canhoto.

Se aprender como amarrar um cadarço requer aprendizagem², o que dizer sobre aprender a como iniciar e sustentar uma igreja?

Médicos são forçados a fazer residência. Isso faz sentido (Isto também é um subsídio para o hospital, que é o porquê deles terem consentido em estreitar o mercado de médicos substitutos que o sistema de certificação das escolas médicas produz). Burocraticamente recém-admitidos e treinados para receberem um treinamento de como agir no trabalho. Ainda há ao final uma ampla relação entre o que os médicos aprenderam nas salas de aula e o que eles encararam diariamente no hospital.

Algo que não acontece com seminaristas. O que eles vêem nas salas dos seminários é normalmente algo diferente do que eles encaram nos problemas diários no ministério evangelístico assim como o M.B.A no mundo dos negócios. Podendo até serem demitidos.

Exemplo: pede-se ao seminarista para preparar um sermão. Ele leva 20 horas para fazê-lo poucas vezes durante sua vida de seminário. Ninguém o instrui de que é melhor não gastar mais do que duas horas por sermão durante o pastorado, e que ele precisa de no mínimo 50 sermões em mãos quando ele tiver seu primeiro contato com o pastorado. Ninguém o instrui sobre o que é um orçamento de igreja. Ninguém o instrui de que se ele se casar com uma das moças da congregação, ele terá que deixar a igreja, já que dezenas de mães irão dizer para elas mesmas, “Então ele a acha melhor que a minha Debbie? Bem, então nós vamos ver!”

O que ele aprende é que Schleiermacher estava terrivelmente errado.

Conclusão

O que as igrejas tem feito é ridículo. Elas têm contratado teólogos para treinar futuros ministros. Teólogos deveriam treinar teólogos; ministros deveriam treinar ministros. Isto é tão óbvio que apenas um teólogo conseguiria deixar de compreendê-lo.

As denominações realmente acreditam que escolas superiores de teologia valem o investimento. Elas estão erradas. Elas acham que seminários valem o investimento. Elas estão erradas de novo. Pois tentam matar dois pássaros com uma única pedra. Eles projetam uma escola de teologia para treinar ministros. Ambos os pássaros morrem. As denominações ou encolhem (se eles de alguma forma mantém professores de teologia doutrinalmente ortodoxos) ou se tornam liberais e em seguida encolhem três gerações mais tarde.

A igreja de Jerusalém cresceu 3000 em um dia (Atos 2.41). Onde seus ministros cursavam o seminário?

Cinco bilhões de pessoas precisam ouvir o evangelho e se ajuntarem a igreja de Deus hoje. Quer ter certeza de que 99 por cento delas vão para o inferno nos próximos 70 anos? Fácil! Exija uma graduação de três anos de um seminário para todos os pastores.


1 – N.T.: O autor se refere a Guerra anglo-americana de 1812.

2 - N.T.: Isto é, tutoria.

3 - N. E: O termo refere-se a uma espécie de corredor da morte, em que um soldado deveria correr entre duas fileiras de outros soldados que batiam nele. O termo em latim fustuarium indica a haste onde o soldado apanhava com vara. Significa, pois, um ritual de humilhação.



Fonte: GaryNorth.com [Christian Reconstruction, Vol. XIII, Nº 4, Julho/Agosto. 1989]
Tradução: Fabio Farias*.

* Compatibilizada com uma tradução prévia de Lucas Ferrari encontrada no site Movimento Reformada.




Gary North é presbítero da Presbiteryan Church in America (PCA), economista, teólogo, professor universitário, escritor e membro adjunto do Ludwing Von Mises Institute.


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