A Vocação Universal dos Santos

 Fábio Farias

Todos tem uma vocação, em especial os que pertencem ao povo eleito de Deus. Ninguém nasceu por acaso, ninguém existe apenas por existir. Há um propósito divino na passagem de todos pela terra. Como disse Salomão, “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins” (Pv 16.4). E o homem só poderá sentir-se plenamente feliz e realizado quando cumprir esse desígnio. Essa é uma máxima da Teologia Reformada e um grande estímulo não só para o pastor, mas para o pedreiro, o professor, o motoboy, o engenheiro, o técnico, o policial, o advogado, etc.

Em Gênesis 1, o autor afirma que ao criar cada elemento do Universo, Deus olhou e viu que “era bom” (por exemplo, v.4 e v.10), mas apenas quando Ele criou o ser humano conforme a sua imagem e semelhança (v.26), deu-lhe uma vocação e ligou tudo que outrora havia criado e visto que era “bom” a essa vocação do ser humano (v.28-30),  Ele “viu tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (grifo meu). Tudo que Ele criou no Universo foi meticulosamente criado para cumprir uma função, um propósito; um fato que a Ciência tem testemunhado de forma grandiosa. E isso agrada a Deus e o glorifica. Quanto mais agrada e glorifica a Deus Pai que seus filhos, remidos pelo sangue de Jesus Cristo, cumpram sua vocação!

Essa verdade evoca aquela sensação e responsabilidade de que estamos fazendo algo para Deus. Sensação de bendito temor e alegria. Sensação de que estamos dando a nossa vida para a glória de Deus. E essa sensação de estar glorificando a Deus não deve ser uma exclusividade dos pastores e missionários. Foi essa convicção de que qualquer atividade lícita, digna, benéfica, ética e honrada que façamos faz parte do Mandato Social do Reino de Deus, que foi um dos segredos do progresso econômico, social e político das nações onde a ética bíblica, protestante e calvinista foi tomada como um dos pilares da sociedade. O reformador Martinho Lutero certa vez disse: “Todo crente tem uma vocação na vida porque tem uma posição e, nesta posição, ele sempre encontra oportunidade de servir.”

Mas além da vocação geral para o trabalho “secular”, todo o povo de Deus tem uma vocação intrínseca para o anúncio do Evangelho. Toda a Igreja é chamada a contribuir com os dons e talentos dados por Deus a cada um para fazer crescer o número de discípulos e promover a piedade em seu meio. O apóstolo Pedro fala sobre isso quando afirma: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, vós, sim, que antes não éreis povo, mas agora sois povo de Deus...”(I Pe 2.9-10). C.H. Spurgeon afirmou vigorosamente que “todo cristão capaz de disseminar o evangelho tem direito de fazê-lo. Ainda mais, não só tem direito, mas é seu dever fazê-lo enquanto viver (Ap 22.17). A propagação do evangelho foi entregue, não a uns poucos, mas a todos os discípulos do Senhor Jesus Cristo. Segundo a medida da graça a ele confiada pelo Espírito Santo, cada discípulo tem a obrigação de ministrar em seu tempo e geração, à Igreja e entre os incrédulos.” E com certeza a mais abrangente exposição dessa verdade você encontrará nas palavras do apóstolo Paulo em I Coríntios 12.12-31.

Portanto, a vocação da parte de Deus e suas implicações são uma realidade universal e uma responsabilidade que abrange todo o povo de Deus. E essa vocação tem um lado “secular” e um lado “eclesiástico”. Logo, o gozo e o dever de servir a Deus é uma dádiva concedida a todos.


 Fontes:
  • Vocação - Perspectivas bíblicas e teológicas - Rev. Kléos Magalhães Lenz César 
  • A chamada para o Ministério - C.H. Spurgeon
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